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(…) É impressionante como o tempo voa! Foi uma semana tenebrosa, como o trabalho a crescer do chão, em dimensão, chatices e imprevistos, como sombras nas paredes do quarto, quando se é criança e alguém apaga as luzes. Demorou uma eternidade até ser fim-de-semana e agora parece que essa brecha de alívio voou. Sem se dar por nada está quase em tempo de repetir a insanidade. (…)
Ass: Eu
Estava, como sempre faço a miúde, lendo Toínho. Escreve ele:
Ando pensando um bocado a respeito da minha indisposição para escrever. Percebi que os bloqueios emocionais, aos quais costumamos atribuir o nome de preguiça, têm um forte componente social. Explico melhor: não derivam apenas de dramas estritamente pessoais, essas pequenas tragédias íntimas que são encenadas no teatro doméstico (que, aliás, também são muitas vezes repetições em menor escala de enredos escritos e inscritos no grande teatro coletivo e tratam de temas, digamos, universais) mas perfazem tentativas de refazer um sentido de Destino, uma ação pública, um discurso na ágora, ou seja, na falta de outra palavra, uma política.
E vai daí, não sei explicar, várias coisas que venho também pensando “a respeito da minha [igual] indisposição para escrever” fizeram sentido.
Porque faz bem começar do zero, quando a gente acha que está tudo errado.







