Dia 6 de Junho, dentro das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, chegou a Brasília a mostra fotográfica de Sue Cunningham já exposta, durante o ano passado, na Europa. A exposição é uma aventura fotográfica vivida pelo casal Sue e Patrick Cunningham, que durante quatro meses percorreu 2,7 mil km do rio Xingu, visitou 48 aldeias e 18 etnias, numa expedição que se chamou ‘Coração do Brasil’. A exposição está no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília. Mais de cem fotos espectaculares que mostram a vitalidade e vibração da cultura indígena do Rio Xingu num tempo de grandes desafios e mudanças.

A exibição mostra uma cultura forte e viva, mas que está sob a pressão da cultura principal que a envolve e que arrasta consigo multidões cada vez mais próximas. Por meio século, as tribos indígenas da parte superior do Xingu, foram protegidas de muitos dos problemas que as tribos em outras partes de Brasil – e em outros países – se viram forçadas a enfrentar. A protecção benevolente concedida pelos Irmãos Villas-Boas e a sua equipa, permitiram a essas tribos um espaço para respirar antes de serem expostos à sociedade caraíba (não índios).
As imagens dos agentes indígenas de saúde e dos professores indígenas, que trabalham em escolas da aldeia, mostram um investimento no futuro, dando às comunidades as ferramentas que necessitam para resistir à erosão das suas culturas e deterioração de seu estilo de vida. No entanto, outras imagens mostram a destruição da Floresta Amazónica, até os limites das reservas, e a poluição da água do rio.
Sue Cunningham sente que é importante mostrar o carácter real das vilas dessas tribos como uma cultura viva. “Estes povos não são algum anacronismo da Idade da Pedra,” diz. “São pessoas do Século 21 cujos valores e prioridades são diferentes das pessoas da corrente principal. Enquanto parecemos inclinados a destruir toda a beleza e vitalidade naturais do Xingu em nome do progresso, eles estão satisfeitos por viver com a natureza, usando somente coisas externas que os ajudaram a manter sua ligação com a terra, a água e o céu. Nós temos muito que aprender com este povo que compreende a verdadeira alma da Amazónia. Apesar de tudo, são os primeiros brasileiros.”
Sue não vê nada estranho nas coisas que os indígenas usam. É um povo altamente adaptável, pronto para fazer uso das tecnologias que melhorarão as suas vidas, tanto de uma maneira prática, como para fortalecer a sua própria cultura. Hoje, há equipas nas aldeias dessas tribos, capazes de produzir vídeos bem feitos e editados. Mesmo assim, a sua vida quotidiana continua completamente conforme à dos seus antepassados, que habitaram a região há quarenta mil anos.

via Folha do Meio Ambiente

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copyright © Maggie C. 2004



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