
Agora à pouco, regressando a casa ainda madrugada-baixa, olhei a língua generosa de Tejo que se abre lá ao fundo, entre as duas margens da calçada íngreme, e fiquei paralisada com o espectáculo desse luarzão magestoso que tomou conta de toda a superfície do rio e o transformou num espelho reluzente de prata cintilante. Estava lindo por demais, o quadro: a lua, o luar, a noite, a cidade de Lisboa, o rio Tejo… Estava tão lindo que foi com dificuldade que me arranquei do passeio e do efeito hipnotizante de tal ‘mirada adelante’, busquei a chave de casa na bolsa, rodei a fechadura e enfim entrei.
E vim subindo a escada com cheiro de cera de abelha, a pensar na sorte que tenho de precisar de tão pouco para encher os pulmões e o coração, a pensar em todas aquelas pessoas insatisfeitas com a vida e os dias e noites que têm (ou não conseguem ter), a pensar que gostava de saber o nome ‘Daquele’ a quem tenho que agradecer por ser tão, mas tão diferente delas e entrar em casa com a certeza de que a vida me sobra e basta. Por tão plena. Por tão bela. Por tão irrepetível, simples e feliz.
Obrigado, seja a Quem fôr, tenha o nome que tiver, pelas ideias tão ‘desenroladas’ dentro da minha cabeça!!








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