Às vezes o cérebro humano prega partidas, como essa de se acostumar a proceder por comparação. Porque comparar acaba por se transformar num vício que se automatiza por si mesmo e sem grande intervenção da nossa vontade, a partir de certa altura. É fácil nem nos darmos conta e, ainda assim, já estarmos a estabelecer a inevitável comparação aos termos. Mesmo que ela seja dispensável. Mesmo que ela se revele até desajustada e inadequada à circunstância. Porque na maioria das vezes, quando assim sucede, acontece que caímos frequentemente no erro de comparar o que entre si nem tão pouco admite comparação, pois toda a gente sabe que entre grandezas distintas e de natureza diversa, a comparação não é sequer um método aplicável e qualquer conclusão a que se chegue com base nela é sempre errónea e propiciadora de tremendos equívocos, enganos e injustiças.
O que não entendo é como é que, se eu tão lucidamente sei tudo isto, continuo a cair na esparrela de fazer comparações entre o que nem sequer admite comparação. Por não ser de todo comparável com o que lhe coloco no outro prato da balança. Custa-me, aliás, demasiado a entender.








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