Duplicar. Ter dois mundos, duas camas, duas vidas. Ser dois o chão. Ser a dois. Ser de dois o chão. Haver terra e haver mar. Haver paraíso para lá do ermo estéril do Inferno. Haver vida dentro da vida. Pulsar. Cambiar. Combinar. Ter uma terra outra por cima da terra, uma nação nova dentro do mesmo país. Experimentar um tempo outro por cima do tempo deles. Sobrepor a pele sobre a pele. Ser selvagem, primária, primitiva. Ser primeira. Ser por detrás do betão, das muralhas, das couraças e do asfalto da selva de pedra deles, que nunca será cidade farta para os iguais a nós. Saber dos recantos, dos mistérios e dos segredos. Aprender os caminhos de ninguém, que levam aos pedaços ainda a salvo. Onde a natureza se mantém conforme ao que era para ser e os primórdios nos uivam com a mesma intensidade das nossas bocas cruzadas à espuma. Com o mar em fundo e um pôr-do-sol desenhado só para nós. Ser bicho simples, suculento como as ervas, poroso como as areias. Estender a nudez aos dias. Dentro e fora de casa. Casa. A casa. A minha e a tua casa. Seja onde for. Onde quer que seja que ela nos aconteça ou apeteça. Ser maior que as horas. Dizer que não ao tempo. E ganhar em dobro tudo o que eles teimam em nos recusar pela metade.
I’d rather be an outlaw than be eaten by the system
Fechar os olhos e confiar-te como num Deus. Abrir-te os sentidos e saber que falas como um rei.








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